As Olimpíadas de 2016 devem ser canceladas?

Em meio à rápida disseminação do vírus ZIKA em toda a América Latina, alguns perguntaram se os Jogos Olímpicos de 2016 deveriam ser cancelados. Os Jogos Olímpicos estão programados para acontecer no Rio de Janeiro em agosto. No entanto, os preparativos para os Jogos Olímpicos já foram problemáticos por várias razões. Escândalos de corrupção, protestos e poluição da água no Rio são alguns dos problemas mais sérios, mas o vírus Zika no Brasil iniciou uma conversa sobre a possibilidade de cancelar os Jogos Olímpicos.

O vírus Zika foi notado pela primeira vez no Brasil no ano passado, mas se espalhou rapidamente por dois motivos: primeiro, porque o vírus é novo no hemisfério ocidental e, portanto, a população não tem imunidade à doença; e segundo, porque o mosquito transmissor da doença é onipresente no Brasil. O mosquito Aedes aegypti, o tipo de mosquito que é responsável pela transmissão do vírus Zika e outros vírus transmitidos por mosquitos, incluindo dengue e febre amarela, geralmente vive dentro de casas e morde principalmente durante o dia. Ele pode botar ovos em uma pequena quantidade de água estagnada, incluindo pires em plantas de casa, pratos para animais de estimação e água que se acumulam facilmente do lado de fora, como em plantas de bromélias e em lonas de plástico.

A preocupação com o zika aumentou devido à suposta ligação entre o zika e casos de microcefalia em recém-nascidos. No entanto, o link ainda não foi comprovado. Por enquanto, as mulheres grávidas foram aconselhadas a evitar viajar para áreas onde o vírus Zika está se espalhando.

Os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro devem ser cancelados? Segundo o Comitê Olímpico, não. Aqui estão cinco razões que podem ser citadas em não cancelar os Jogos Olímpicos de 2016 devido ao vírus Zika.

Razões pelas quais as Olimpíadas não devem ser canceladas:

1. Clima mais frio:

Apesar do nome "Jogos Olímpicos de Verão", agosto é inverno no Brasil.

O mosquito Aedes aegypti prospera em clima quente e úmido. Portanto, a propagação do vírus deve diminuir à medida que o verão passa e o clima mais frio e seco chega.

2. Prevenção da disseminação do zika antes dos Jogos Olímpicos

Com os Jogos Olímpicos se aproximando e o medo crescendo sobre os possíveis efeitos do Zika sobre os bebês em gestação, as autoridades brasileiras têm levado a ameaça muito a sério com várias medidas para evitar a disseminação do vírus. Atualmente, o país está se concentrando na prevenção de mosquitos através do trabalho das forças armadas, que vão de porta em porta para eliminar a água parada e educar os moradores sobre a prevenção do mosquito. Além disso, as áreas onde os Jogos Olímpicos serão realizados estão sendo tratadas para evitar a propagação do vírus nesses locais.

3. Evitar o zika durante os Jogos Olímpicos

Os viajantes que vêm para os Jogos Olímpicos podem impedir a propagação da doença, não se infectando. Para isso, eles precisarão usar consistentemente boas medidas de prevenção enquanto estiverem no Brasil. Isso inclui usar um repelente de mosquitos eficaz (veja recomendações para repelentes de mosquitos ), usar roupas e sapatos de mangas compridas (em vez de sandálias ou chinelos), ficar em acomodações com ar-condicionado e janelas teladas e eliminar água parada em um hotel quarto.

Prevenir picadas de mosquito no Brasil é algo que os viajantes já devem estar cientes. Embora o vírus Zika possa ser novo no Brasil, o país já é lar de doenças transmitidas por mosquitos, incluindo dengue e febre amarela, e houve uma epidemia de dengue em 2015. Essas doenças têm sintomas mais graves e podem até causar a morte em casos extremos. Portanto, os viajantes devem estar cientes do risco potencial nas áreas onde ficarão e tomar precauções quando necessário. Essas doenças não estão se espalhando ativamente em todas as partes do Brasil - por exemplo, o CDC não recomenda a vacina contra febre amarela para o Rio de Janeiro porque a doença não é encontrada lá.

4. Perguntas não respondidas sobre os efeitos do zika

O vírus Zika foi declarado uma emergência global pela Organização Mundial de Saúde, depois que autoridades determinaram que existe uma possível ligação entre o Zika e o pico nos casos de microcefalia com defeito de nascença no Brasil.

No entanto, a ligação entre o zika e a microcefalia tem sido difícil de provar. O Ministério da Saúde do Brasil acaba de divulgar as seguintes estatísticas: desde outubro de 2015, houve 5.079 casos suspeitos de microcefalia. Destes, 462 casos foram confirmados, e dos 462 casos confirmados, apenas 41 foram conectados ao Zika. A menos que uma conexão entre o vírus e o aumento dos casos de microcefalia possa ser comprovada, é muito improvável que os Jogos Olímpicos sejam cancelados.

5. Mantendo a ameaça do zika em perspectiva

Tem havido preocupação de que o vírus Zika se espalhe devido a pessoas infectadas que retornam dos Jogos Olímpicos. Embora essa seja uma preocupação real, o potencial de disseminação do zika existe em apenas algumas partes do mundo. O tipo de mosquito que transporta o zika não vive em climas mais frios, de modo que a maioria dos Estados Unidos e da Europa não seria um forte terreno fértil para o vírus. O vírus já está presente em grande parte da África, sudeste da Ásia, ilhas do Pacífico Sul e agora da América Latina. As pessoas que vêm de países onde o mosquito da espécie Aedes está presente devem ter um cuidado especial para evitar picadas de mosquito no Rio de Janeiro, de modo que a probabilidade de trazer o zika de volta para seus países de origem será minimizada.

Devido à potencial ligação entre o zika e os defeitos congênitos, as mulheres grávidas são aconselhadas a não viajar para áreas infectadas. Além do possível efeito sobre os fetos, os sintomas do zika são relativamente leves, especialmente quando comparados a vírus semelhantes como dengue, chikungunya e febre amarela, e apenas cerca de 20% das pessoas infectadas com zika apresentam sintomas.

No entanto, as pessoas que viajam ao Brasil para os Jogos Olímpicos devem saber como o vírus Zika pode ser transmitido. Eles podem ser infectados e, se retornarem ao seu país de origem com o vírus ainda presente em seu sistema, podem disseminar a doença ao serem picados por mosquitos da espécie Aedes, que podem então transmitir o vírus para outros. Um pequeno número de casos de zika sendo transmitidos através de saliva, sexo e sangue foi relatado.